[Leitura Semanal] – Wagahai Wa Neko de Aru.

PostopNovel japonesa que originou o filme de nome homônimo nas mãos do PunPun!

Sinto muito pelo chá de sumiço que bebi, me disseram que era suco de laranja, inocentemente provei e estava uma DELÍCIA! Piadinhas a parte, sei que devo a parte final de Suiiki nessa coluna, mas como definir uma parte dois sem definir a parte um? Seria muito spoiler, por mais que a primeira também seja.
Sem mais delongas, achei numa biblioteca a novel japonesa ‘Wagahai wa neko de aru‘ de Natsumi Kinnosuke (sobrenome/ nome), também conhecido pelo pseudônimo Natsumi Soseki, o que na verdade foi um grande acaso, simplesmente entrei na fileira mais apertada de livros, onde ficam os esquecidos que ninguém nunca lê, por pura falta do que fazer e acabei encontrando-o ao reparar a arte tradicional da Terra do Sol Nascente e o furacão de Kanjis.

PunPun, e sobre o que fala o livro?” perguntou Epaminondas.

Bom, primeiramente deixe-me citar algumas curiosidades sobre o autor! Falar sobre a obra sem falar do mestre que a escreveu é como assistir um filme sem saber do que se trata!… Ou não.
O autor recebeu ao nascer, em 1867, o nome de ‘Natsume Kinnosuke’, porém, a partir de 1887, ele passou a assinar com o seu pseudônimo ‘Soseki’, sei que já disse isso, mas queria ressaltar que, em chinês, significa “incômodo”. Seria uma espécie de inconformação? Não sei, PunPun não é um gênio ou algo do tipo.
Outro detalhe interessante está no título da história: “Wagahai wa neko de aru” significa “Eu sou um gato“.

Pensei que ‘Eu’ fosse “Ore“, “Watashi” ou “Boku” em japonês, o que seria Wagahai?” Indagou, completamente confuso, o leitor que importunava PunPun.

Bom, hora de dar uma aulinha de gramática japonesa: ‘Wagahai’ é uma das muitas formas de dizer o pronome de primeira pessoa ‘eu’, cujo o uso era especialmente para políticos, militares e qualquer outro tipo de autoridade relacionada para demonstrar possível arrogância.
Lembrando que a novel ganhou uma adaptação para filme de 80 minutos em 1975, com direção de Kon Ichikawa, e com o roteiro nas mãos do próprio autor em conjunto de Toshio Yasumi.

Sinceramente, você mudou muito o estilo de escrita, PunPun!” Disse o crítico culto enquanto bebia seu cafezinho com o mindinho levantado.

Vou ignorar esse detalhe e começar logo o ponto principal do post: A trama!
Nas primeiras páginas, eu imaginava que o livro trataria da visão de vida de um gato de rua que estaria descobrindo os humanos, em meio a suas dúvidas, descobertas e problemas em seu caminho. Bom, meio que é isso mesmo, mas ele não assume o título de gato de rua para sempre, logo ele encontra um humano que o acolhe em casa, que ele se refere como “meu amo”. Trata-se de uma crônica narrada por um gato sem nome, mas não um gato fanfarrão como o Garfield ou qualquer outro que se vê por outras obras, no decorrer da trama vemos suas críticas ao senso comum humano, o modo em que o tratam, ou maltratam, com aquele toque de sarcasmo do autor.

“Os humanos têm quatro patas, mas se dão ao luxo de utilizar apenas duas. Poderiam andar mais depressa se usassem todas, mas se contentam apenas com um par, deixando as restantes estupidamente penduradas como bacalhaus postos a secar.”

O livro está repleto de passagens como esta, onde ações comuns da humanidade são abordadas de forma irônica e um tanto reflexiva. Por isso, muitos consideram Soseki como um Machado de Assis japonês. A leitura é descompromissada e leve, apesar de que as inocentes indagações e questionamentos do gato causem um pequeno choque de realidade quando “cai a ficha”. Lembrando que o livro também tem relação com a autobiografia do autor. Go go google!
Me identifiquei muito com algumas situações que, para mim, são revoltantes. Quem tem criança em casa sabe do que estou falando: Seu gato não tem sossego! Elas maltratam e maltratam meu gato e ainda, quando tento defendê-lo, vem mãe, tia, vó, reclamar. Assim como foi citado no trecho do livro:

“Quanto mais observo os humanos com os quais convivo sob o mesmo teto, tanto mais me vejo obrigado a concluir que se tratam de seres egoístas. As crianças com as quais às vezes compartilho a mesma cama são particularmente abomináveis. Quando lhes dá na telha, me viram de ponta-cabeça, cobrem minha cabeça com um saco, me atiram para todos os lados, me enfiam dentro do forno. Como se isso não fosse o suficiente, basta eu revidar, mesmo de forma leve, e toda a família corre atrás de mim para me molestar.”

Eu sou um gatoMesmo que eu normalmente defenda meu gatinho das crianças, tem uns adultos muito cara-de-pau que me impossibilitam de qualquer ato por pura hierarquia. As pessoas gostam tanto de maltratar os bichanos, né?
É como falei no ~Facebook~ esses dias: As pessoas não sabem viver em paz.
Voltando ao livro, a história é muito triste, ao mesmo tempo que é engraçada. As críticas são afiadas, não tanto como na trilogia ‘O Vendedor de Sonhos’ de Augusto Cury, mas são, e muito interessante, afinal por se tratar de uma visão de mundo e de sociedade num ponto de vista de um gato.
Qual o seu ponto de vista?

Um comentário sobre “[Leitura Semanal] – Wagahai Wa Neko de Aru.

  1. Na versão traduzida que tenho na biblioteca do colégio o titilo é “Watashi” e nome do autor é “Rinnosuke”, bem fora as versões de tradução o livro é mesmo uma crônica das mais afiadas a sociedade da época, embora o fim … bom é o fim.

No céu tem pão?

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